quinta-feira, 20 de outubro de 2011

 

A CABALÁ PARA O MUNDO

Pergunta: Quando há muitas pessoas sentadas numa sala quente, sempre haverá uma pessoa que está com frio e que força os outros a desligar o ar condicionado. Dizem que a maioria da humanidade é capaz de se adaptar às mudanças iminentes. Mas o que devemos fazer com aqueles que estão presos e não estão prontos para sair do estado atual?

Resposta: É importante corrigir a si mesmo em vez do mundo. Na verdade, eu quero provocar movimentos externos e tento ajudar as pessoas a entender o processo e o método de autocorreção. No entanto, em essência, eu só me preocupo com o modo de corrigir a mim mesmo. Eu não corrijo o meu vizinho. Eu lhe dou o método na forma mais suave possível, mas não o faço agir; isso já é escolha dele.
Portanto, nós não incomodamos as pessoas que não estão prontas para a mudança, de forma alguma. Elas ainda não estão maduras para isso. Ao disseminar o método Cabalístico, nós deixamos cada um avaliar por si mesmo. Eu já declarei em diversas ocasiões que não me importo como as pessoas aceitam a nossa mensagem. Eu escuto suas respostas apenas para melhorar a apresentação: para indicar algo de um modo novo e responder a uma pergunta que incomoda alguém. Mas se eu dei tudo o que tenho e a pessoa ainda rejeitam e desprezam as minhas palavras, eu a trato com respeito. Para mim, isso também é um sinal de sucesso, porque eu fui capaz de aproximar-me dela e revelar a sua resistência. Esta é a reação correta para ela hoje, e nada pode ser feito com relação a isso.
Nós nos dirigimos ao mundo exterior apenas para melhorar a nós mesmos. E se melhoramos a nós mesmos da melhor forma possível, eu não tenho nenhuma queixa com relação às respostas das pessoas. Vamos esperar mais um ano, ou mais cinco anos.
No entanto, se formos longe demais, isso será coerção e não estará dando à pessoa a oportunidade de livre escolha.
Hoje, um paradigma completamente novo, uma nova visão de mundo e uma nova abordagem estão surgindo diante de nós que nunca existiram antes. No passado, nós mudamos o mundo, mas agora o mundo é invariável e nós temos que mudar a nós mesmos.
Estas mudanças internas na pessoa só podem vir por sua escolha, pelo seu desejo, por uma decisão consciente que ela faz a cada passo. E a Cabalá é essencialmente o método, o plano de ação neste caminho.
Por definição, a ciência da Cabalá é a revelação do Criador para a criação. Ao mudar, a pessoa alcança a semelhança com a natureza. Ser semelhante à natureza significa ser semelhante ao Criador. Uma pessoa (Adam) é aquela que é similar (Domeh) ao superior. Isto é o que devemos constantemente descobrir no processo que está envolvendo o mundo.
Por termos um método Cabalístico e sermos seus representantes em nosso mundo, nós devemos ajudar toda a humanidade revelando este método de todas as formas. Obviamente, isso deve ser feito com o entendimento de que as pessoas resistem às mudanças, não as querem, e as desprezam. Isso é verdade, mas, no entanto, é assim que tudo deve ser. Da nossa parte, nós devemos melhorar a apresentação, a fim de levar o método às pessoas de forma confortável e agradável.
Caso contrário, o mundo irá, naturalmente, sofrer cada vez mais de um dia para o outro, imergindo em confusão, desamparo e perplexidade. As pessoas podem ficar tão confusas que questões se expandirão para uma guerra. Afinal, quando você está confuso e desorientado sob uma saraivada de golpes, seus nervos podem não resistir.
Então, você estará disposto a fazer qualquer coisa para parar o caos. Mesmo a guerra parecerá a salvação, porque ela parece colocar tudo em seu lugar. Assim como uma pessoa pode ter raiva, a humanidade também pode, e nos nossos dias nós entendemos que isso significa uma guerra mundial.
Depende de nós: quão rapidamente assimilaremos a ciência da Cabalá e a disponibilizaremos em uma apresentação clara e correta para o mundo inteiro? Todos nós juntos devemos nos tornar uma organização de educação e instrução que ajuda as pessoas e explica como mudar, a fim de estabelecer a correta interconexão e, assim, alcançar equivalência com a natureza ou com o Criador, que é a mesma coisa.
Se não conseguirmos alcançar o equilíbrio e a harmonia com a natureza, então, além dos fracassos sociais, sentiremos golpes devastadores, que nos liquidarão. Afinal, mesmo na atual sociedade humana, nós somos incapazes de qualquer coisa até que mudamos a nós mesmos. O egoísmo está atraindo uma enorme quantidade de problemas sociais, mas não podemos parar.
A sociedade de consumo está esgotando a terra. Duzentos anos de era industrial esgotaram todos os seus recursos e em breve eles secarão completamente. Água potável, petróleo e outros recursos estão todos chegando ao seu fim. Finalmente, não seremos nem mesmo capazes de levar uma vida normal, para não mencionar os excessos. Mesmo assim, nós somos incapazes de nos conter, de limitar a produção e a poluição.
E nós não conseguiremos fazer isso até mudarmos a natureza do homem. Nenhuma solução artificial nos ajudará. Nós ainda colocamos nossas esperanças nos métodos antigos, mas a natureza não aceita mais de nós “o pagamento por crédito” (por mérito). Ela aceitará apenas uma coisa de nós: a harmonia com ela, a homeostase com este sistema global.
A necessidade de mudar o homem está obrigando a nós, Cabalistas, a sair dos limites anteriores e começar a fazer ações na escala global. E nós não temos outra escolha. Como o Baal HaSulam escreve no artigo “A Ciência da Cabalá e sua Essência”: Como um todo, a Cabalá é a revelação do Criador. Onde? Na pessoa. De acordo com o quê? Com Sua equivalência de forma. A pessoa adquire semelhança com o Criador, a natureza envolvente e global, tornando-se um único todo com ela.



Um Cabalista tem duas funções: uma relativa ao Criador e outra relativa aos seres criados. Em muitos casos, elas estão interconectadas e uma afeta a outra, mas elas ainda são duas diferentes missões. Com relação ao Criador, um Cabalista tem um tipo especial de trabalho dentro do sistema ao qual pertence. Lá, ele é conectado com os Cabalistas de todas as gerações que vivem nesse sistema como almas corrigidas. Ele compreende sua designação na raiz de sua alma, no lugar ao qual ele pertence dentro do sistema. Ao revelar o Criador, ele O deleita.
Com relação aos seres criados que ainda não chegaram ao alcance individual, com a melhor de sua habilidade, ele divide seu conhecimento da sabedoria da Cabalá e os ajuda a se aproximarem do sistema superior, a conscientemente entrar nele, e a fazer parte da correção.
Para cumprir isso, os Cabalistas escrevem livros. Um livro é a revelação. Cada geração precisa de novos livros uma vez que a cada nova encarnação as almas tornam-se renovadas. Elas são caracterizadas pelo grande egoísmo e por um novo tipo de percepção. Além disso, mesmo em nosso mundo corporal, as condições para a revelação do Criador também estão mudando.
Desta forma, os Cabalistas têm que continuar melhorando o método da Cabalá. Esse é o mesmo método que foi revelado por Adão, mas em cada geração, ele tem que ser compatível com o desejo coletivo. Como o desejo cresce, as condições entre o Criador e nós muda, e é sobre isso que os Cabalistas escrevem.
Quando nós tentamos penetrar na profundidade de um texto Cabalístico, vemos que não são simplesmente letras e palavras, mas um mecanismo que trabalha em nós enquanto falamos. O texto é um programa que é colocado na pessoa para trabalhar com seu desejo para que assim comece a ter correspondência com o sistema superior. É quando a pessoa se torna parte dele.
Através dos livros, um Cabalista passa aos estudantes como construir a intenção, como agir e se interconectar. Além disso, ele passa adiante a força interna do sistema espiritual. Ele entra na pessoa enquanto ela está lendo, mas a afeta somente com a condição de que ela deseje mudar para ser como o Cabalista cujas palavras ela está lendo e que ela deseje penetrar no texto para revelar o que está sendo descrito.
Pergunta: Qual é a raiz espiritual da disseminação e por que ela é tão importante?
Minha Resposta: A raiz da disseminação, a difusão da sabedoria da Cabala, encontra-se na conexão entre as almas. Após o rompimento dos kli(recipiente) e separação devido ao egoísmo mútuo, as almas têm que se reunirem. É um “quebra-cabeças” que temos que remontar, é desta forma que vamos conhecer o Criador da alma comum.
Pergunta: Por que as religiões e as crenças também querem disseminar?
Minha resposta: Todos querem propagar a sua influência e força, querem ser mais fortes, mais poderosos e ricos, e para absorver mais seguidores de outras crenças. É um desejo natural egoísta de qualquer ensino
Pergunta: Então, qual é a diferença entre os ensinamentos egoístas e a Cabala?
Minha Resposta: Nós não contratamos ninguém. Nós não precisamos fazer isso. Buscamos um único objetivo: que uma pessoa venha a saber o propósito da sua existência e o modo como fazer com que sua vida seja boa, eterna e perfeita. É isso aí! Como você chamaria essa pessoa? Ela não seria chamada de nada, nem de judeu, de cristão ou de muçulmano, nem um seguidor de alguém ou de alguma coisa. Ela simplesmente vai ser gentil e carinhosa com todos.                                                                                                               Michael Laitman

Nenhum comentário:

Postar um comentário